Estava eu muito descansado em Vila Praia a curtir a chuva ( e neve ) que nos tem visitado nestes últimos fins de semana, já a pensar que ia levar o ferrinho de volta para casa sem lhe molhar os pneus, quando recebi a noticia que no Gerês o sol espreitava.
E nem de propósito. Esta melancolia que vêm com o tempo chuvoso, esta coisa que me faz espreguiçar como um gato preguiçoso e indolente do lado certo de uma vidraça. Esta coisa tem de acabar Já chega de ronronar. De ficar a ver o tempo passar.
O Manel chamou. As paisagens estão ali mesmo á mão. Desde que fiz o passeio da Canyon este ano que fiquei vidrado naquelas serranias e vales. Alimento para a alma, é o que é. Mal posso esperar.
Cheguei cedo. Nada mexe. Já na parte final da viagem de carro, e enquanto desço para a Caniçada, posso ver as zonas mais baixas cobertas por uma névoa teimosa que rola pelas encostas abaixo e parece querer resistir a este Sol de inverno que se esforça timidamente por trazer algum calor. Parece que apanhei o mundo inteiro ainda a acordar. Sinto-me quase como um intruso que perturba a paz da alvorada.
|
O Manel junta-se a nós e começamos a preparar o equipamento. Afinal hoje não vamos poder ir até ás Sombras. Temos de estar de volta ás 12:00, pelo que temos de arrancar daqui da Vila em vez da Portela do Homem como tinha planeado. Por sorte meti mais uns quantos tracks no GPS por isso escolho um á sorte e lá vamos nós.
Começamos por subir a encosta por uma estrada de alcatrão. A inclinação é grande e os músculos estão frios. Lá vamos subindo entre o ruído das cascatas que trazem as águas lá do alto da encosta e a paisagem sobre as casas da vila que vão diminuindo, devagar, enquanto subimos.
|
|
|
|
Corri um risco. Recentemente troquei o selim do ferrinho. Meti um Charge Spoon castanho. Ainda não o tinha experimentado e vim para aqui sem saber como se ia comportar em termos de conforto. Comecei a ficar preocupado. Estava a sentir algumas dores logo no início. Não é bom sinal, mas não há nada a fazer... |
Ao fim de uns minutos, o track vira para a encosta e trepa por um estradão em terra com uma inclinação brutal. Hesitamos... Seguimos a estrada até ao alto, ou seguimos o track? O Manel diz que não trouxe pneus de estrada. Eu penso que não trouxe as cordas de alpinismo, mas com a vaga esperança de que a inclinação baixe depois da curva, lá fomos mais á mão que a pedalar - subindo. Depois da 4 curva, as esperanças de que a subida acalme esfumam-se mas agora também já dá pena voltar atrás. Cheguei á conclusão que provavelmente estamos a fazer este track no sentido errado. Isto a descer é que deve ser.
Mas a paisagem!!! A cada passo me esgoto mas a cada olhar me revitalizo. Foi para isto que vim. Para encher os olhos com este espaço, para encher os pulmões com este ar , frio, limpo, raro. No meio destes devaneios, de muitas maldições, e umas quantas pedaladas, lá chegamos ao topo. Tínhamos gasto uma grande parte do tempo disponível a subir. No topo, vamos seguindo os trilhos que aparecem, uns que descem para o lado errado, outros que acabam sem saída.
Entretanto, a meio de uma ligeira descida, escorrego no selim.. Pois... deixou de doer completamente. De tal maneira que me esqueci dele. Muito confortável. Mas não deixa de ser curioso doer no início e depois deixar de doer... Quanto ao conforto, vou ter de fazer mais uns quilómetros valentes para ter a certeza. Se ao fim de 40 km ele se mostrar assim confortável, não me importo nada que incomode nos primeiros km. Mas é escorregadio. A lycra desliza pela pele sintética como se estivesse oleada. Será que com o desgaste fica menos escorregadio?? A ver vamos..
Exploramos um pouco. Mas pouco depois tomamos a estrada que desce de volta á Vila. É uma longa descida. Passamos por cima da Caniçada. A névoa resiste ainda e os montes parecem o pêlo molhado de um cão a fumegar ligeiramente ao calor do Sol. Um barco abre um rasto albufeira acima. A paisagem é estonteante.
Apanhamos um bttista que acaba de subir de S.Bento da Porta Aberta pela outra encosta. Procurava um trilho que o levasse de volta a Rio Caldo e a S.Bento. Não pude ser de grande ajuda porque conheço mal a zona. Continuamos a descida enquanto ele ficou a aguardar os amigos que subiam ainda. Um pouco mais e estávamos de volta aos carros. Eram 12:00, mais minuto menos minuto. Foram poucos quilómetros, muita estrada em pouco mais de duas horas, mas, mesmo assim, foi memorável. Memorável como só o Gerês sabe ser. Um grande abraço ao Manuel Soares, por me arrancar á preguiça e pela companhia e paciência nos trilhos. Boas pedaladas, Bravellir
|
Um abraço virtual, com muita pedalada!
Fred AkA Froids
quando quiseres é so dar um toque e vamos acabar o que mal começamos.
nao gosto de deixar as coisas a meio,temos de marcar nova data,
de certeza que vamos disfrutar de um bom dia ali aquilo é LINDO
abraços
Parabéns pelo site! Está excelente!!
A minha visita é regular e estou sempre à espera de novidades!!
Abraço!
Um abraço aos dois
Manda mais
Abraços