A internet é um "bicho" complicado. A navegar por aí vamos encontrando relatos, fotos e filmes de sítios fantásticos. Ficamos vidrados e com uma vontade que roça a inveja de também lá ir. De também experimentar. Mas o tempo não dá para tudo e algumas destas metas vão ficando para trás, umas vezes esquecidas, outras a doer cá dentro por estarem ainda por cumprir.
Tenho no meu PC uma pasta chamada "GPS pendentes". Não, não são os planos para uma plantação de GPS , é mesmo uma colecção destes percursos que "ainda hei-de fazer". Hoje ficou mais pequena O track da Rota das Sombras passou para a pasta das boas memórias do BTT, junto com fotos, filmes, e a lembrança de mais umas horas valentes com os amigos.
Não todos, porque com as confusões da instabilidade do tempo, uma bike partida e alguns contratempos, alguns dos habituais companheiros não nos puderam acompanhar. Mas acho que temos de olhar para o copo como estando meio cheio. É uma excelente oportunidade para repetir a aventura com os "faltosos"
Lembro-me perfeitamente de ter ouvido falar pela 1º vez neste percurso ainda em 2006 e de ter ficado a pensar como deveria ser. Lembro-me de martirizar um dos Rampinhas de Viana do Castelo para me arranjar o track. Mas depois por várias circunstâncias foi ficando lá na tal Pasta, sempre preterido à espera da ocasião perfeita mas sempre presente no subconsciente.
No ano passado fui ao 2º Encontro Nacional dos Canyionistas. Quando decidi ir, pouco mais sabia do que a data e o local. O Gerês. Foi com uma enorme surpresa que descobri já em pleno percurso que íamos fazer as Sombras. Incrível como um desejo antigo tantas vezes adiado de repente se concretiza sem contar.
Dessa vez, completamente desprevenido, quando cruzei a crista do monte e vi o vale por onde desce o trilho pedestre, fiquei, literalmente, sem fôlego. A dimensão, a beleza agreste, o silêncio.
Só consigo comparar a sensação com aquela que se sente dentro de uma catedral. Reverência e respeito. É fácil perceber como algumas culturas antigas acreditavam em gigantes. Aquele vale não pode ser obra do acaso. Alguém ou alguma coisa tem de o ter esculpido pedra por pedra. Tem de ter um propósito. Faz-me sentir muito pequeno e insignificante pensar que um local daqueles possa existir apenas porque sim, como que obra de um deus distraído.
Acabamos nesse passeio por não descer pelo percurso pedestre e se bem que a minha curiosidade em termos paisagísticos tenha ficado satisfeita, a curiosidade pelo single track do percurso pedestre não, por isso, logo ali, ficou bem decidido que iria voltar na primavera seguinte.
Ok, eu sei que tecnicamente ainda não é primavera, mas não deu para esperar mais. Foi só o sol espreitar um pouco mais e hoje, ás 9:00 da manhã, e depois de uma noite quase em claro, estava a estacionar na Portela do Homem e a montar a On One.
Optei pelo "ferrinho". Da última vez tinha vindo na Canyon e alem disso a Canyon está ou esteve recentemente com um problema no amortecedor. E continuo a sentir mais confiança a descer com a On One. O Josérato já lá estava e entretanto juntou-se a nós o resto da pandilha,que depois de alguns kilometros perdidos acabaram por encontrar a Portela do Homem . A ideia inicial era estacionar em Torneiros e arrancar de lá, mas mudei de planos e arrancamos mesmo da Portela. A ansiedade era muita. Não foi das decisões mais felizes mas também não foi uma desgraça assim tão grande.
Iniciamos o estradão que leva ao trilho pedestre. Fomos avançando a um ritmo calmo mas seguro. Fizemos uma ligeira paragem no tanque a meio da subida onde o Floopi deu uma voltinha no "ferrinho" apenas para lhe pôr defeitos. Segundo ele, tem pouca brecagem
Chegamos sem sobressaltos ao tal "ponto mágico" . Ao tal sitio de onde se abrange o vale inteiro de uma só vez. Para mim não teve o mesmo impacto que da 1º vez mas ainda assim o sentimento de reverência e admiração foi intenso.
Fizemos mais uma paragem para fotos ( só marmanjos a querer ganhar o C&C do ForumBTT ), bocas, comes e bebes na água do ribeiro que desce das Minas. Recomendações feitas selins em baixo e entramos no percurso pedestre. É duro. É louco, é super mega hiper divertido
Tecnicamente exigente e aqui e ali perigoso, embora talvez o mais perigoso possa mesmo ser o excesso de confiança, o trilho é atravessado por uma série de regos que obrigam a desmontar. Dependendo das capacidades de cada um, existem troços aqui e ali que tem mesmo de ser feitos à mão. Pessoalmente a maior dificuldade é mesmo a regularidade da pedra grande e solta ao longo de TODO o percurso. Não tem praticamente um metro de piso regular que dê para montar e encaixar os pedais em condições. Foi a minha grande irritação. Cada vez que tinha de parar era um sofrimento para encaixar e por vezes acabava por parar outra vez porque desencaixado é virtualmente impossível. Tenho ainda os dois tornozelos todos pisados de tanto bater.. sei lá.. em tudo
A inclinação é desprezível. Nada de especial mesmo. A pedra solta e os regos é que tornam a descida dura e perigosa. Nós tínhamos rádios e nunca nos perdemos de vista uns dos outros mais que uns segundos, mas mesmo assim, o Zé que na altura ia na frente deu um grande tombo e ficou debaixo da bike até chegarmos à beira dele. Felizmente o capacete, a mochila e o joelho ( outch ) apararam a queda. Meio preocupados com ele e mais "sossegados" chegamos à ponte de madeira que atravessa o riacho onde alguns marmanjos tentaram mais uma vez ganhar o C&C .
Já tínhamos sido informados por uns caminheiros com que nos cruzamos mais acima que daqui para a frente o piso era muito mais regular. Eu já estava bastante cansado da descida. Inicialmente era dos braços ate me lembrar que esmagar os punhos não afasta as pedras , e depois foi o músculo da perna esquerda de vir a aguentar com a pancada tanto quilómetro.
Foi por isso com redobrado prazer que vi aparecer um single quase sem pedra solta, estreito mas plantado num verdadeiro relvado com dois metros ao longo da encosta. Quase 100 % a descer, a variar a inclinação a cada cento de metros e tendo quase sempre nas variações de inclinação alguma pedra mas bem presa ao chão a pedir que a saltassem.
Foi di ver ti do Pudemos descer a um ritmo muito mais alto e muito mais excitante. Chegamos ao fim num instante. O meu ferrinho portou-se à maneira. Sempre muito segura e na secção rápida muito divertido. Na parte mais trialeira, nem a mais perfeita das bicicletas rígidas era capaz de encobrir a minha falta de jeito. Levei uns safanões, mas mesmo assim, destaco a mesma a sensação de segurança com que ataquei todo o percurso.
Mas de assinalar foi as 3 Scales a descer aquele trilho. Especialmente o Floopi voador
O single, depois de cruzar uma estrada, atravessa uma aldeia. Mal saio da terra dou com o meu pneu de trás furado. Depois de algumas hesitações, como o magic seal não selou o Racing Ralph tubless, acabei por desistir e montar uma camera de ar. Entretanto o Domingos também tinha um pneu furado, e depois de tudo pronto, o Jorge também descobriu um furo Três de uma vez. Toma. Mas aconteceram num bom sítio. Tínhamos um tanque de água à mão, um senhor deixou usar um compressor DIY feito com um velho frigorifico ( e que bem ele enchia ) e até nos ofereceram tintol. Mas mesmo assim quebrou bastante o ritmo.
O reinício foi sofrido, pelo menos para mim, especialmente porque logo a seguir paramos de novo em Torneiros onde estava o carro de apoio à espera. Morfamos umas sandes de presunto e foi com muita dificuldade que consegui arrancar o pessoal dali para fora porque depois de ver a piscina de água quente já ninguém queria subir até à Portela. Definitivamente para a próxima temos de acabar em Torneiros. As sandes, a esplanada, a cervejola, a piscina e a praia fluvial são competição a mais
Arrancamos para os carros de inicio pela Geira Romana e depois por um trilho do outro lado do Rio Caldo. A subida não tem muita história para além das muitas pragas por causa do empeno que já espreitava em alguns de nós.
Mas de uma coisa gostei, foi quando alguém disse à boca cheia que para ter feito aquele single subiam até a Portela nem que fosse duas vezes que bem que valia a pena.
Pandilha satisfeita. É quanto basta. Olhem para as fotos, já não me lembro de ver tantas caras sorridentes há muito tempo. Venham até às Sombras. Não se vão arrepender. Prometo.
Galeria Completa...
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Comentários (5)
Boas
1
Quarta, 25 Março 2009 22:40
Josant
Excelente reportagem...como sempre. Um dia vou ser teu agente!
Foi um dia excelente, com muitos bons trilhos e muita boa companhia!
Parabéns pela desorganização e para a próxima não sejas tão teimoso!
Coloca logo uma câmara de ar!!! :
Curioso que acabei de tirar um pico do pneu da frente
Abraço e porta-te mal
Bom report
2
Quarta, 25 Março 2009 23:02
ricky
Olá Brave!
Estava aqui a deambular e encontri o teu blog...vi estes teus relatos e logo me lembrei dos excelentes passeios que já fiz contigo a guiar....
Para quando mais um?
Abraço
Em breve
3
Quinta, 26 Março 2009 09:17
Bravellir
Ricky, em breve
Recordar
4
Quarta, 01 Abril 2009 14:28
José Alberto
Hoje o dia está a ser uma seca nada como passar os olhos por este site e recordar muitos bons momentos.
Até parece que o dia melhora
Um abraço
Mina das Sombras
5
Quarta, 15 Abril 2009 17:54
Nuno Cunha
Boas,
Já nos cruzamos nos trilhos da Maia (habito lá) e também no ano passado aquando do passeio da Canyon na zona do Gerês.
Sim era eu e mais uns amigos que desciamos o trilho pedestre que desceram agora quando um dos vosso colegas nos tentou avisar que o passeio não era por lá..e depois até nos cruzamos no café junto as lagoas de água quente e também depois da subida em direcção à Portela do Homem.
Quanto ao trilho..um lugar idilico para quem gosta de natureza seja a pedalar, a andar a pé ou de TT..um dos melhores trilhos que fiz até hoje (já o fiz 3 vezes - a 1ª foi há 5 anos com o Paulo da Patocycles e a malta dos Patus Bravus)e continua a surpreender-me de cada vez.
Foi um dia excelente, com muitos bons trilhos e muita boa companhia!
Parabéns pela desorganização e para a próxima não sejas tão teimoso!
Coloca logo uma câmara de ar!!!
Curioso que acabei de tirar um pico do pneu da frente
Abraço e porta-te mal
Estava aqui a deambular e encontri o teu blog...vi estes teus relatos e logo me lembrei dos excelentes passeios que já fiz contigo a guiar....
Para quando mais um?
Abraço
Até parece que o dia melhora
Um abraço
Já nos cruzamos nos trilhos da Maia (habito lá) e também no ano passado aquando do passeio da Canyon na zona do Gerês.
Sim era eu e mais uns amigos que desciamos o trilho pedestre que desceram agora quando um dos vosso colegas nos tentou avisar que o passeio não era por lá..e depois até nos cruzamos no café junto as lagoas de água quente e também depois da subida em direcção à Portela do Homem.
Quanto ao trilho..um lugar idilico para quem gosta de natureza seja a pedalar, a andar a pé ou de TT..um dos melhores trilhos que fiz até hoje (já o fiz 3 vezes - a 1ª foi há 5 anos com o Paulo da Patocycles e a malta dos Patus Bravus)e continua a surpreender-me de cada vez.
Abraço.
visita: abelhamaiabtt.blogspot.com